Stereo
O programa Stereo continua a ser um dos momentos mais aguardados do Curtas Vila do Conde, renovando, ano após ano, a promessa de que o encontro entre cinema e música permanece um território inesgotável de descoberta. Entre revisitações de obras maiores da história do cinema, novas criações e encontros improváveis entre músicos e cineastas, cada sessão revela como o som pode transformar a imagem e como um filme pode ganhar novas vidas através da interpretação ao vivo.
Das vanguardas históricas à criação contemporânea, o Stereo continua a mostrar que um filme nunca é uma obra encerrada. Cada nova interpretação musical abre outras formas de o ver, escutar e experienciar, fazendo da projeção um acontecimento irrepetível. Mais do que acompanhar as imagens, a música reinventa-as, transformando ritmos, imagens e sentidos. É nesse espaço de permanente reinvenção que o programa continua a afirmar a sua identidade, celebrando o cinema ao lado da música e da performance.
Filmes-concerto
A edição deste ano atravessa mais de um século de história do cinema, aproximando diferentes épocas, geografias e linguagens. Na abertura do programa, Bruno Miguel e Nuno Canavarro apresentam uma nova composição para uma seleção de filmes de Germaine Dulac, uma das figuras incontornáveis das vanguardas cinematográficas. Também o multifacetado músico britânico Alabaster DePlume propõe uma nova leitura de “Time of the Heathen” (1961), de Peter Kass, obra maior do cinema independente americano recentemente restaurada. O programa inclui ainda o encontro entre os Mão Morta Redux e o universo cinematográfico de Pedro Serrazina, numa criação ao vivo que percorre diferentes momentos da filmografia do realizador português, bem como uma nova colaboração entre o compositor e baterista Gabriel Ferrandini e o realizador e produtor Luís Costa, concebida especialmente para esta edição do festival, que explora territórios onde concerto, filme e performance se tornam indissociáveis. Há ainda espaço para a exibição de um documentário musical, “Black Rio! Black Power!”, e para a Competição de Vídeos Músicais, uma sessão imperdível que reúne o melhor que foi feito em Portugal neste género no último ano.
17 JUL · 23:30
Teatro Municipal 1
Bruno Miguel e Nuno Canavarro × Germaine Dulac
Este cineconcerto foi concebido especificamente para esta edição do Curtas e resulta de uma colaboração entre os compositores Bruno Miguel e Nuno Canavarro. Partindo de imagens e fragmentos de filmes como “Étude Cinégraphique sur une Arabesque” (1929), “Thèmes et Variations” (1928), “Disque 957” (1928) e excertos de “La Coquille et le Clergyman” (1927) — frequentemente apontado como uma das primeiras obras surrealistas da história do cinema —, a apresentação propõe uma nova leitura do universo visual de uma autora que procurou expandir os limites da linguagem cinematográfica.
Para Bruno Miguel e Nuno Canavarro, esta criação constitui também uma oportunidade para recuperar e dar visibilidade a uma figura fundamental da história do cinema, cuja importância artística permaneceu durante décadas insuficientemente reconhecida. Através da combinação entre materiais de arquivo e uma nova abordagem sonora, o cineconcerto procura estabelecer um diálogo entre o legado histórico da realizadora e as possibilidades contemporâneas da performance audiovisual.
Interprétes:
Clara Lacerda (direção de músicos, teclados)
João Geraldo Gomes (violoncelo, eletrónica)
Rafael Santos (clarinete, eletrónica)
21 JUL · 23:30
Teatro Municipal 1
Gabriel Ferrandini × Luís Costa
O músico e compositor português Gabriel Ferrandini apresenta um novo projeto audiovisual, desenvolvido em colaboração com o realizador Luís Costa, naquele que marca o primeiro encontro artístico entre ambos. A performance cruza música e imagem numa experiência imersiva onde memória, narrativa e imaginação se entrelaçam.
Reconhecido como uma das principais figuras da música improvisada e experimental portuguesa, Ferrandini expande neste trabalho a sua linguagem composicional, combinando escrita para coro e orquestra de cordas com elementos elétricos e eletrónicos ligados à bateria. O resultado é uma arquitetura sonora de forte dimensão cinematográfica, centrada na textura, no espaço e na emoção.
As composições dialogam com imagens captadas por Luís Costa ao longo de vários anos, reunidas agora num objeto visual inédito. Concebida especificamente para o contexto do festival, a obra reforça a ligação do Curtas Vila do Conde à experimentação artística na interseção entre cinema, música e criação audiovisual.
23 JUL · 23:30
Teatro Municipal 1
Mão Morta Redux × Pedro Serrazina
Os Mão Morta Redux — formação composta por Adolfo Luxúria Canibal, António Rafael e Miguel Pedro — apresentam um cineconcerto com banda sonora original, criada especialmente para uma sessão dedicada ao cinema de animação do realizador Pedro Serrazina. O espetáculo inclui as curtas-metragens “Estória do Gato e da Lua” (1995), numa versão expandida do filme — comissiariada pelo Batalha Centro de Cinema —, “Os Olhos do Farol” (2010) e “Sombras de Nós Próprios” (2025), numa proposta que cruza música ao vivo e imagem em movimento.
Desde 1984, os Mão Morta afirmam-se como uma das bandas mais marcantes do rock português, com um percurso sólido e uma identidade artística singular. Nesta versão Redux — que recupera o formato trio original — o grupo propõe uma abordagem intimista e intensa, criando uma nova leitura sonora para estas obras de animação.
Pedro Serrazina é professor, investigador e realizador premiado de cinema de animação. Desde a sua primeira curta, “Estória do gato e da Lua”, estreada internacionalmente no festival de Cannes, o seu trabalho tem várias expressões, entre a curta-metragem, as instalações “site-specific”, videoclips, workshops, publicações e projetos académicos, num percurso marcado pelas relações entre a arquitetura, o espaço público e o cinema de animação.
24 JUL · 23:30
Teatro Municipal 1
Alabaster DePlume
"Time of the Heathen", Peter Kass
Alabaster DePlume é um músico e compositor londrino cuja obra se destaca pela sua dimensão poética e exploratória. Descrito como saxofonista, cantor, compositor e pensador, Alabaster DePlume ocupa um lugar singular na música contemporânea, cruzando melodias envolventes com uma forte consciência social e política.
Inspirando-se no folk, no jazz, na música eletrónica, no punk e no indie, cria um pop experimental que transmite emoção, alegria e uma intensa sensação de vitalidade. As suas canções assentam em melodias circulares sonoras e tons luminosos que transmitem calma e generosidade em ondas calorosas — a menos que se esteja a revoltar contra a complacência e a desumanidade quotidiana do capitalismo do fim dos tempos.
Para esta apresentação, DePlume criou uma composição original, tocada em quinteto, que acompanhará a exibição da longa-metragem “Time of the Heathen” (1961), realizada por Peter Kass, com uma nova cópia restaurada em 4K.
Este cineconcerto resulta de uma coprodução com a série Videodroom (Centro de Arte VIERNULVIER e Festival de Cinema de Gante).
Cinema ao Ar Livre
A completar este programa será exibido o documentário "Black Rio! Black Power!", que revisita o movimento Black Rio, nascido nos bailes de soul music dos anos 70 como espaço de afirmação cultural e resistência política da juventude negra carioca. O filme analisa o impacto deste movimento na música, na sociedade e na luta pela justiça racial no Brasil, destacando a sua influência durante o período da redemocratização e o legado que deixou em géneros como o hip-hop e o funk.
Um grupo de apaixonados pela música, com carreiras profissionais noutras áreas, criou em 2018 a cooperativa Mr. November, promotora musical da marca "Os Suspeitos", na organização de concertos.
24 JUL · 21:45
Solar – Galeria de Arte Cinemática · Pátio
Black Rio! Black Power!
Este documentário analisa a influência do movimento Black Rio na cultura, na sociedade e na luta pela justiça racial no Rio de Janeiro e no Brasil entre as décadas de 1970 e 1980. O filme mostra o impacto do movimento na música e na orientação da política e do movimento negro durante o período da redemocratização, influenciando géneros como o hip-hop e o funk..
BLACK RIO! BLACK POWER!
David Roberts, Billy Shebar, EUA, Alemanha, França, 2025, DOC, 94''
Competição
Vídeo Musicais
Competição integrada na secção Stereo que promove e destaca as curtas-metragens de vídeos musicais. Criada em 2005, é uma das áreas mais aguardadas do festival, reunindo músicos, realizadores, musicófilos e cinéfilos. Dedicada exclusivamente a videoclips de bandas ou artistas portugueses, ou realizados por autores portugueses, celebra a criatividade e a inovação na convergência entre música e cinema.
— CIGANINHO 404 - REALIDADE
Machine Filmes
2026, Portugal, 3'
— A garota não + João Mota (Et toi michel) - Tigre III
Amigos da Onça
2026, Portugal, 4'
— fauxquaker - Doorcase Mummy
Jorge Miranda Lucas
2026, Portugal, 3'
— Maria Faust - March nr 6.2
António Tainha
2025, Portugal, 3'
— Unsafe Space Garden - Mais Uma Voltinha
Cristiana Figueiredo, Lucas Moreira de Silva
2026, Portugal, 5'
— PAUS - Ficamos por aqui
André Ivo
2025, Portugal, 3'
— Clarisse e os Desaviados - Plástico
Pedro Fonseca
2025, Portugal, 4'
— Mirror People - Any Color U Like
Rui Maia
2025, Portugal, 4'
— Caustic, Babe! - Should I Dream
Lorena Sequeyro
2025, Portugal, 3'
— Hetta - Plainclothes Man
João Portalegre
2025, Portugal, 3'
— Sereias - Extrema-Direita Fascista
Jorge Quintela
2025, Portugal, 4'
— Sula Bassana - Lost in Space
Edgar Pêra
2025, Portugal, 8'
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